Um casal catarinense planeja conhecer o mundo e pretende custear os gastos no exterior, trabalhando remotamente.

A primeira parte do roteiro já foi cumprido. O jornalista Lucas Coppi e a 

profissional na área da importação, Luiza Tomé, percorreram durante seis meses cinco países da América do Sul. 

A aventura não só terminou em casamento como também resultou no lançamento do livro "Saímos de Casa". 

Vocês são jovens e se lançaram em busca de novas experiências, conhecer novas culturas. Nos conte como tudo começou e as principais lições que vocês obtiveram deste período.

Tudo começou em 2015, quando eu conheci a Luiza e começamos a namorar. Desde o início do namoro, nossas conversas sempre acabavam em viagem. Eu já tinha morado no Canadá e ela, nos Estados Unidos. Os dois estavam infelizes com os trabalhos e querendo dar um rumo novo na vida.

Começamos a pesquisar destinos, valores e possibilidades de ter uma fonte de renda trabalhando remotamente. No fim daquele ano decidimos um local – América do Sul – e uma data – junho de 2016. Depois disso foram mais seis meses de planejamento até o dia do embarque.

No dia 20 de Junho de 2016 partimos para Montevidéu, não só para conhecer países novos, mas também para nos conhecermos: passamos a morar juntos com menos de um ano de namoro, em um novo país e longe de todos.

Sobre as lições, aprendemos muito em muito pouco tempo. Aprendemos muito sobre respeitar um ao outro, um ao espaço do outro, e é claro, todas as outras pessoas que conhecemos durante o trajeto. Aprendemos que o melhor das viagens são as pessoas e as histórias que elas têm a contar.

Aprendemos a dar mais valor às coisas, ao dinheiro, às pessoas que amamos e que deixamos longe.

Quais foram os momentos mais interessantes e quais os que mais preocuparam vocês durante os roteiros que percorreram?

Conhecemos lugares incríveis, todos eles devidamente registrados no livro. Cada dia, tínhamos uma história diferente para contar, e por isso decidimos eternizar essa história em algumas páginas.

Alguns momentos preocuparam bastante. Por exemplo quando ficamos trancados na fronteira entre a Argentina e o Chile e, depois, o motorista do ônibus quis tirar o atraso e fez ultrapassagens loucas em uma estrada muito perigosa. Depois, quando nossos cartões foram cancelados e tivemos que nos virar como deu durante cerca de dez dias.

Mas a cada momento desses, fortalecíamos nossa parceria, sentíamos que estávamos mais juntos e que tudo estava valendo a pena.

Como vocês se mantinham durante a viagem e qual o conselho que vocês dão para o quem tem planos de vivenciar uma experiência semelhante a de vocês?

Nós nos planejamos. O segredo, essencialmente, foi o planejamento. Se passássemos seis meses sem nenhum real entrando na conta, teríamos sobrevivido. Mas essa não era a intenção e, para gerar renda, trabalhávamos remotamente. Eu com redação e tradução, a Luiza com tradução. Essa renda gerada não pagou 100% da viagem, mas nos ajudou a voltar para o Brasil com uma gordura para “ajeitar a vida” depois da viagem.

Nosso sonho era ter conseguido uma fonte de renda remota que nos permitisse não precisar voltar para trabalhos “comuns”, nos dando a liberdade de viajar sempre. Não foi bem assim na época, mas hoje, dois anos depois, seguimos com esse sonho e mais perto de realizá-lo.

A lição, portanto, é planejamento. A vida é feita para que possamos correr riscos, mas sempre calculados. Nós pensamos em cada detalhe durante quase um ano antes de colocar o pé na estrada, e estávamos preparados para os obstáculos que sabíamos que iriam aparecer.

Assim, quando algo dava errado, até isso estava “planejado”. E isso nos permitiu viver seis meses intensos, mas sempre equilibrados emocionalmente e financeiramente.

Como foi o retorno de vocês ao Brasil e o que mudou na vida de vocês depois da viagem?

O retorno foi tão bom quanto a ida. Reencontramos família e amigos, todas as pessoas que amamos, e tínhamos um milhão de histórias para contar.

Percebemos que as coisas por aqui pouco tinham mudado, que em seis meses pode acontecer muita coisa ou nada. Depende de você, depende do que você planeja e dos sonhos que busca.

Depois da viagem, seguimos morando juntos (depois de seis meses não faria sentido cada um voltar para sua casa) e reconstruímos nossa vida “normal” por aqui. As viagens, no entanto, nunca saem da nossa cabeça.

Toda a experiência deste período no exterior, acabou se tornando um livro, como nasceu a ideia de publicá-lo?

Como citamos, vivíamos uma história diferente a cada dia. Foram cinco países, dezenas de cidades, centenas de pessoas. Isso merecia ser contado e eternizado. Para os amigos, para os amantes de viagens e, também, para nós mesmos. Com certeza vamos nos pegar lendo nosso próprio livro várias vezes durante a caminhada.

Existe a previsão do lançamento de um novo livro? ou seja... vocês estão pensando em repetir a experiência em novos países?

Pensar, sempre pensamos. Nunca paramos de pensar em viagens. Em 2017 e 2018, mesmo sem “ir embora”, fizemos algumas viagens dentro e fora do Brasil. Nosso objetivo é voltar a fazer uma viagem mais longa quando tivermos rendas remotas mais estabilizadas. O sonho é que isso aconteça em 2020, estamos trabalhando para isso. Se acontecer, com certeza teremos algum canal de comunicação e, porque não, pode surgir mais um livro.

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