Europa vive emergência climática com calor recorde, milhares de mortes e incêndios sem controle
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Por: Rô Wölfl/Alemanha
A Europa enfrenta um dos verões mais extremos de sua história. A combinação de temperaturas recordes, seca prolongada e ventos fortes transformou grandes áreas do continente em cenário de incêndios florestais.
Mais de 250 mil hectares já foram queimados, uma área equivalente a aproximadamente 350 mil campos oficiais de futebol. França, Espanha, Portugal, Grécia e países dos Bálcãs concentram os maiores focos, enquanto milhares de bombeiros seguem mobilizados para impedir que as chamas avancem sobre cidades e áreas agrícolas.
Milhares de pessoas já morreram por causa do calor extremo na Europa
Dados oficiais do sistema europeu de monitoramento da mortalidade mostram que mais de 10 mil pessoas morreram em excesso durante a intensa onda de calor do fim de junho. Uma compilação posterior de dados nacionais elevou esse balanço para pelo menos 12 mil mortes, principalmente na Alemanha, França, Espanha, Itália, Portugal, Bélgica e Países Baixos. A maioria das vítimas tinha mais de 65 anos e sofria de doenças cardiovasculares ou respiratórias, agravadas pelas temperaturas extremas.
Em diversas regiões da Espanha, França, Itália, Portugal e Grécia, os termômetros permaneceram entre 40 e 44 graus, com picos próximos de 45 graus. Até mesmo países tradicionalmente mais frios, como Alemanha, Bélgica e Países Baixos, registraram temperaturas muito acima da média histórica.
A resposta da população foi imediata. A procura por aparelhos de ar-condicionado disparou em praticamente todo o continente. Em alguns países, lojas registraram falta de estoque e filas de espera para instalação.

Os modelos portáteis, indicados para um único ambiente, custam entre 300 e 600 euros. Os aparelhos do tipo split inverter, mais eficientes e silenciosos, variam entre 800 e 2 mil euros. Já sistemas centrais para residências maiores podem ultrapassar 3 mil euros, sem contar a instalação.
Mesmo assim, apenas cerca de um terço das residências europeias possui pelo menos um aparelho de ar-condicionado. Em países do norte da Europa esse percentual é ainda menor, porque, até poucos anos atrás, o equipamento era considerado desnecessário. Na Alemanha de cada 100 residências apenas 6 possuíam pelo menos um ar condicionado em casa.
Conta da luz mais cara

O aumento no uso desses aparelhos também pressiona o sistema elétrico. Em dias de calor extremo, o consumo de energia atinge níveis recordes e um único ar-condicionado funcionando de oito a dez horas por dia pode elevar a conta de luz de uma residência entre 20% e 50%, dependendo da potência do equipamento e da tarifa local.

França: milho, trigo e pastagens sofrem com a falta de chuva e as altas temperaturas.
Prejuízos na agricultura e pecuária europeia
No campo, os prejuízos aumentam. A seca reduz a produtividade de lavouras de trigo, milho, uvas e oliveiras, afeta a criação de animais e diminui a disponibilidade de água para irrigação. O resultado já preocupa economistas e produtores, que esperam novos aumentos nos preços dos alimentos nos próximos meses.
Diante desse cenário, a Europa acelera sua adaptação ao novo clima. Governos estão ampliando os planos nacionais de combate ao calor, criando centros públicos climatizados para atender idosos e pessoas vulneráveis, expandindo áreas verdes nas cidades, plantando árvores para reduzir as chamadas ilhas de calor, modernizando hospitais e escolas com sistemas de refrigeração, reforçando os alertas meteorológicos e investindo na prevenção de incêndios florestais.
A União Europeia também amplia os investimentos em infraestrutura mais resistente ao calor, na gestão dos recursos hídricos e em políticas de redução das emissões de gases de efeito estufa, diante da expectativa de que ondas de calor como a atual se tornem cada vez mais frequentes e intensas.




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